Morreu um pouco do meu coração

Quando a vi pela 1a vez, a Silvia deu-lhe fiambre e ela dava pinchos tão altos que pensei ‘vai destruir-me a casa!’. Mas, não. Mal entrou em casa sentou-se no sofá cor de laranja e … acalmou. Tinha finalmente encontrado um lar. Já não era mais um cão de rua. Era o meu amor pequenino. Fomos só as duas durante muito tempo. Fomos só as duas ontem também.

Perdi a minha sombra. A minha amiga do coração. Minha companheira. Apagou-se o pouco brilho que lhe restava nos olhos. A surdez, as cataratas, os bicos de papagaio, o sopro. Nada a levou. Deu tudo até ao fim.

Não tenho palavras para descrever o sentimento de vazio. As saudades que senti dela, ainda ela estava comigo. As saudades que sinto hoje, quase 24h depois dela adoemecer.

Fomos só nós duas ontem. Dei-lhe mais mimo, mais beijinhos. Não a queria deixar ir. Não a queria ver assim… Desligada do mundo. Olhava para o vazio. Abandonou-se. Desligou-se. Já não era a minha Nina. Nunca vou esquecer do colo que lhe dei, de todo o sentimento que lhe transmiti por gestos e palavras. Nunca me vou esquecer de a ver ir.

A minha Nina. Como o Rui Sousa a ilustrou: a princesa lá de casa. Que saudades tenho dela.

Este post é uma homenagem à minha pequenina cadela. À minha amiga. Às alegrias que vivemos juntas. Às orelhas no ar ao vento. Às sonecas deliciosas ao sol. Às corridas atrás de bolas. Ao delicioso frango. Às rosnadelas aos gatos. Aos passeios na praia. Ao colo da dona Manuela. Aos fins de semana am casa da ‘avó’ Mena. Às viagens de carro no colo. E a tantos outros momentos que passamos estes anos.

Os que fizeram parte da vida dela sabem do amor que nos unia e da paixão que ambas sentíamos uma pela outra. E sabem também que era preciso conquista-la. Ganhar-lhe a confiança, o amor. O Paulo bem sabe o tempo que levou para que ela saltasse para o colo dele em vez de saltar para o meu. E que alegria foi esse momento.

São estas lembranças e as mil fotografias que temos que vão ficar sempre. Tal como a saudade.

Foi a minha Nina. A melhor amiga de todas de quem tive de me despedir ontem.

E uma parte do meu coração deixou de bater junto com o dela.

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